domingo, 31 de janeiro de 2016

Analise Oxenfree

 


    O que pensariam se vos disséssemos que um jogo tenta combinar elementos de jogos de aventura como Broken Age, com personagens adolescentes credíveis, e elementos sobrenaturais a lembrar Twin Peaks ou Lost? Acham que seria uma mistura interessante? Porque é isso que Oxenfree tentar proporcionar, uma aventura sobrenatural com adolescentes da Night Dive Studios que está agora disponível para Steam e Xbox One. Um jogo que segue os passos de outros jogos de aventura, mas com uma experiência um pouco mais adulta e sobretudo, mais aterrorizante.

   Jogos como Oxenfree fazem parte de uma tendência crescente nos videojogos, no sentido em que não incluem muito em termos de jogabilidade propriamente dita. Não existem puzzles para resolver, plataformas desafiantes ou inimigos para abater em Oxenfree. O que faz avançar a experiência são os diálogos entre as personagens e as escolhas que o jogador toma. Existem momentos onde são obrigados a sintonizar rádios, mas isso é o mais parecido com um puzzle que vão encontrar em Oxenfree. É um tipo de jogo que favorece a narrativa e a imersão acima da jogabilidade, e se não são fãs deste tipo de experiência, nem vale a pena experimentarem Oxenfree. Por outro lado, se até encontram alguma curiosidade neste tipo de abordagem menos interativa, aconselhamos-vos a continuarem a ler.




 

   Como noutros jogos do género, será a história e a relação entre as personagens que irá motivar o jogador a continuar investido. Alex é uma rapariga adolescente, que partilha uma tradição anual com os seus colegas: a de viajarem até à ilha de Edward, beberem até mais não, e participarem em atividades como jogar à verdade ou consequência. Este ano existe um elemento novo, com a presença do seu meio-irmão Jonas, recém chegado à família como resultado do novo casamento do seu pai. Depois de explorarem algumas das grutas da ilha, o grupo encontra um estranho sinal, e em pouco tempo os planos dos adolescente mudam por completo. Estranhas falhas temporais, espíritos misteriosos, e outros fenómenos sobrenaturais vão tornar esta noite numa experiência inesquecível para o grupo de adolescentes.

   Também será algo marcante para o jogador, já que a narrativa e as personagens são brilhantes - um elemento essencial para este tipo de jogo funcionar. Existem alguns momentos óbvios e os diálogos podem parecer forçados a espaços, com alguma exposição forçada, mas nada que interfira com a experiência. Quando o grupo de cinco adolescentes reage aos eventos à sua volta e baseiam o seu discurso nessa realidade, é quando Oxenfree flui de forma mais natural e surpreendente.



 



   O jogo funciona através de uma perspetiva lateral em 2D, embora exista um conceito de profundidade com camadas no cenário. Terão liberdade para explorar a ilha de Edward como quiserem, mas a narrativa decorre através de um percurso linear. O mapa está dividido em várias áreas, que se abrem conforme recebem novos objetivos, sugeridos ao jogador de forma subtil. É uma sensação de liberdade falsa, que não existe de facto, mas que não é realmente um problema. Aliás, não é isso que o jogo pretende proporcionar, e nesse aspeto a experiência nunca parece forçada ou limitada.

   Oxenfree emprega uma técnica visual peculiar, com grafismo e animações 3D, mas feito de uma forma que parece quase desenhado. Os cenários parecem saídos de uma pintura modernista, que reclamam a atenção e a apreciação do jogador. Gostámos do estilo visual, mesmo que as animações não sejam tão inspiradas como o detalhe gráfico. Não existem nada de errado com essas animações, mas esperávamos que fossem um pouco mais trabalhadas e especiais, em particular com o movimento da personagens. Oxenfree também brinca com as perspetivas do jogador, mostrando eventos repetidos com resultados diferentes, que podem levar-vos a questionar se o que estão a ver num determinado momento é real ou imaginação, o que aumenta a intensidade da experiência.
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